Me questionaram recentemente:
- Quanto tempo que você não se sente bem, de fato?
Eu fiquei com essa pergunta na cabeça.
Como responder isso?
Como saber o que, de fato, é se sentir bem?
Eu consigo pensar apenas em sentimentos.
Lembro de momentos em que senti paixão, amor.
Momentos onde senti que havia cumprido o meu dever.
Possuir esses sentimentos, seria então o denominante de estar bem?
Sendo assim, “estar bem” é nada mais do que passageiro.
Pois, sentimentos assim como muitas coisas, não são eternos.
Eles vem, batem o ponto, marcam sua presença e partem.
Talvez, possamos dizer que “estar bem” é a ausência de infelicidade.
Ora, se não me sinto infeliz, porventura estou feliz.
Pois existem apenas esses dois estados, não?
Não me lembro nesse momento de uma palavra que possa substituir essa, mas acho que o termo “neutro” se encaixa melhor.
Nem feliz e nem triste.
Um meio termo.
Mas não gostamos da área cinzenta, não é mesmo?
Por isso respondemos apenas com um:
- Sim, está tudo bem!
A verdade é que eu sinto saudades dos momentos onde senti uma felicidade extrema.
Uma paixão tão grande, que chega à doer o peito.
Mas minha mente vacila e não consigo deixar de pensar que:
- Minha memória está correta? Estou me lembrando sem falhas desses momentos?
Talvez eu esteja romantizando o passado.
Se lembrando diferente do que de fato foi.
Por isso, volto ao pragmatismo.
Minhas lembranças nada mais são do que o meu desejo interno pelo que eu gostaria que tivesse acontecido.
A verdade é que o que existiu foi apenas uma ilusão criada pela ignorância.
E entre viver feliz na ignorância ou infeliz nos fatos concretos.
Viverei a verdade.